Impactes

O lixo marinho é um problema visível para quem costuma frequentar praias e zonas costeiras. O impacte visual é o primeiro com qual nos deparamos. Contudo, mesmo em praias que aparentemente parecem limpas, também encontramos lixo com frequência. Se observarmos com atenção o areal, podemos encontrar:  

 

- Pequenos fragmentos de lixo irregulares que resultam da degradação lenta do plástico por ação da areia (erosão mecânica), do sol (degradação térmica; degradação por radiação ultra-violeta) e da água do mar (degradação química). Por exemplo, uma garrafa de plástico dá origem a inúmeros fragmentos, que ao longo do tempo, se vão tornando cada vez mais pequenos. 
 

- Pequenos discos achatados de plático (de aproximadamente 5mm de diâmetro), internacionalmente conhecidos como pellets e que são a matéria-prima usada para produzir todos os plásticos que conhecemos e usamos diariamente. 

 

Todos os items de lixo, desde os objetos maiores aos fragmentos mais pequenos, matéria-prima ou resultantes da degradação do lixo são responsáveis por causar vários problemas nos ecossistemas e biodiversidade mas também, na vida das pessoas e sociedade.  

 
 
Impactes nos ecossistemas e biodiversidade

 

Aprisionamento 

 

Os animais são atraídos para o lixo marinho devido à sua curiosidade natural ou enquanto procuram alimento ou abrigo. O aprisionamento pode não provocar necessariamente morte, mas sofrimento, deformações ou limitações para o resto da sua vida. Um dos fenómenos que leva ao aprisionamento de muitos animais é a "pesca fantasma" causada por redes de pesca perdidas acidentamente ou deliberadamente ("redes fantasma"). Estas redes, ou outros aparelhos de pesca, continuam a apanhar peixe enquanto se mantém à deriva ou no fundo do mar. As suas capturas atraem outros peixes, mamíferos e aves marinhas que procuram alimento, que normalmente ficam presos ou envolvidas nelas, causando um ciclo letal contínuo.  

 

Ingestão 

 

Os animais marinhos podem ingerir lixo acidentalmente ou porque é parecido com as suas presas. Por exemplo, as tartarugas comem sacos de plástico porque os confudem com alforrecas; as aves alimentam-se ou alimentam as suas crias com pellets de plástico, porque são parecidos com ovos de peixe, etc. A ingestão pode levar a fome ou malnutrição se os itens de lixo ingerido encheram o seu estômago. Os objetos afiados, como metal e vidro partido, podem ferir o seu tracto digestivo e causar infecções e dor. Os itens ingeridos também podem bloquear as vias respiratórias e eventualmente causar morte por asfixia. 

A ingestão de lixo, especialmente de plástico, pode originar outros problemas. Foi demonstrado cientificamente que o plástico funciona como uma espécie de esponja, uma vez que tem a capacidade de adsorver compostos químicos tóxicos presentes na água no mar, como os POP. Como consequência, quando os animais ingerem plásticos contaminados, os POP vão acumular-se nos seus tecidos adiposos, o que pode afectar o bom funcionamento dos seus órgãos, ou acumularem-se noutros animais, quando estes servem de presa (bioacumulação). Para os humanos que estão no topo da cadeia alimentar, as consequências ainda são desconhecidas.  

 

Transporte de espécies exóticas

 

Algumas espécies são transportadas pelo lixo e invadem mares que normalmente nunca alcançariam. Quando estas se estabelecem num novo ambiente interagem com as espécies nativas e representam uma ameaça para as espécies autóctones e equilíbrio dos ecossistemas. A invasão por espécies exóticas é uma das maiores ameaças para a biodiversidade global. 

 

Danos nos habitats

 

O lixo no mar pode danificar os habitats bênticos, por exemplo, através da abrasão dos recifes de coral por aparelhos de pesca ou sufocando as comunidades.

A maquinaria usada para remover o lixo das praias pode danificar os habitats costeiros. 

 

 

Impactes nas pessoas e bens


Para além de uma forte ameaça para a vida marinha, o lixo marinho também afeta as pessoas, os seus bens e as suas atividades económicas. 

 

Pescas 

 

Diminuição dos stocks de peixe pelo impacte direto na fauna marinha diminuem as receitas deste sector. Adicionalmente, redes de pesca à deriva e cordas se se enrolarem nas hélices e âncoras podem causar prejuízos ou danos irreparáveis nas embarcações. 

 

 

Turismo 

 

As praias com lixo não atraem turistas. Menos turistas traduz-se em meios receitas para as comunidades costeiras. Empresas associadas com alojamento, restauração e atividades recreativas são afectadas negativamente por este problema. 

 

Autoridades locais 

 

Para evitar prejuízos avultados nas atividades costeiras, as autoridades locais têm de disponibilizar todos os anos uma fatia significativa do seu orçamento para as limpeza de praias. Estas limpezas são bastante caras, especialmente em zonas remotas de difícil acesso ou com falta de infraestruturas (caixotes do lixo, etc).

 

Saúde 

 

Vidro partido ou metal enferrujado no areal, assim como lixo médico (seringas, pensos, etc) podem ferir as pessoas e ser uma fonte de transmissão de doenças infecciosas. A possível contaminação do peixe e marisco com compostos químicos tóxicos pode originar outro risco para a saúde.

Adicionalmente, os mergulhadores podem ficar gravemente feridos, ou mesmo afogar-se se ficarem presos no lixo.

 

 

 

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